Categoria: Creepypastas

Creepypastas são contos de terror (geralmente de autores anônimos) que se originaram na internet e são passadas entre fóruns, blogs e outros sites para assustar e perturbar seus leitores.

O nome “Creepypasta” se originou das palavras “Creepy” que significa assustador e “copypasta” que é uma gíria para especificar textos que são copiados e colados várias vezes de site para site.

Eu era um solteiro solitário

Chega um ponto da sua vida que você cansa da solidão, certo? Bem, eu
era um desses caras. Solteiro há mais de dois anos, nunca havia ficado
com alguém desde então. E por uma razão muito simples: eu detestava sair
de casa. Não que meu problema fosse falta de beleza ou de caráter. Pelo
contrário, eu não era de se jogar fora e simplesmente preferia me isolar
de todo tipo de diversão barata e danosa, como ficar muito louco nos
fins de semana após cheirar maconha. No fundo, eu sabia que um dia encontraria alguém que
fosse compatível com os meus padrões de personalidade. Além disso, o
fato de meus pais terem morrido há poucos meses era mais um motivo pelo
qual eu optei em não sair muito de casa. De qualquer forma, sempre fui
um cara quieto, praticava meus hobbies e me entretia sozinho. Os poucos
amigos que fiz foram na escola, mas eu já estava cheio deles, eram todos
nerds babacas e eu vivia na simplicidade. Ah, não vou negar que sentia
um pouco de inveja por eles, já que estavam sempre ficando com várias
garotas, e alguns já tinham seus relacionamentos bem sucedidos. Para
completar, adicione um pouco de timidez a tudo isso, e a coisa se
transforma em uma verdadeira merda. Acho que você já deve ter percebido
que minha vida é monótona e chata. Minha rotina era acordar todos os
dias para trabalhar num posto de gasolina que ficava cerca de 15 minutos
de caminhada da minha casa. Durante meu tempo livre, geralmente só fico
dormindo e assistindo vídeos aleatórios no YouTube. De certa forma, a
internet era a minha única fonte real de entretelimento, e eu passava a
maior parte do tempo lendo notícias ou vendo pornografia. Afinal, eu não
era de ferro.
Um dia, percebi que eu poderia criar um perfil num desses sites de
relacionamentos online. Minha escolha foi o Badoo, pela grande
quantidade de usuários cadastrados e por estar no topo da lista de
aplicativos do gênero. Agora, possivelmente eu poderia conhecer alguma pessoa legal
que gostasse de viver da mesma forma que eu, embora sabia que a maioria
de pessoas no Badoo procurava sexo casual e encontros sem compromisso. Infelizmente, todas as garotas da minha área pareciam nem me notar. Então eu tomei a decisão
de gastar
meus últimos centavos para me promover no aplicativo de encontros e
talvez conseguir alguma chance real de conhecer alguém. Bem, acabou por
dar certo. Logo, minha caixa de mensagens estava cheia de solicitações
de conversas. Bati papo com algumas moças, a maioria eram
universitárias e com bons empregos. Quando eu me formei no ensino médio,
estava de saco cheio de estudar, então, fazer faculdade definitivamente
não estava nos meus planos. Eu sempre fui um cara bastante simpático e
persuasivo, então não demorou muito para que eu marcasse um encontro
pelo Badoo. Seu nome era Nicole, 24 anos, estudante de enfermagem e um
belo sorriso. Combinamos de nos encontrar a noite, em um bar próximo.
O encontro foi ótimo, tomamos alguns drinques e eu acabei ficando
muito bêbado, enquanto ela me contava sobre a sua futura formatura e
sobre o sonho realizado de concluir o curso. Nicole era uma jovem
encantadora e parecia não se importar com o fato de eu não fazer muita
coisa na vida. Tudo parecia girar a minha volta, e eu a convidei para ir
até minha casa sem exitar. Por incrível que pareça, ela aceitou
sem pensar, e fomos embora.
No dia seguinte, eu acordei no sofá da sala. Olhei para os lados,
mas não vi nenhum sinal de Nicole. Chamei pelo seu nome, mas não obtive
resposta. Minha cabeça doía e eu não conseguia me recordar do que havia
se passado nas últimas horas. Preocupado, andei pela casa e procurei em
todo lugar pela moça, mas não encontrei absolutamente nada. Imaginei que
ela teria ido embora por algum motivo de força maior, e deixei uma
mensagem privada em seu WhatsApp. As horas passaram, e estranhei o fato
de não receber notícias de Nicole. Ela não havia visualizado minha
mensagem, e estava inativa no aplicativo desde a hora que nos
encontramos. Ao abrir o Badoo, chamei outras garotas e acabei por esquecer do estranho incidente. Na verdade, minha popularidade no app estava bem elevada, e eu
comecei a conversar com outra garota, desta vez uma jovem de 21 anos chamada Carol.
Fiquei surpreso com a quantidade de coisas em comum que tínhamos, e eu achei que havia uma
química muito boa entre nós dois com o desenrolar das mensagens.
Diferente de Nicole, Carol parecia mais tímida e reservada, e demorou um
tempo até que ela se interessasse em sair comigo. Novamente, escolhi o
bar perto de casa como ponto de encontro. Carol era linda, agradável e
simpática. Conversamos durante um longo período de tempo, e entre
beijos,, a convenci de ficar comigo naquela noite.
De repente, eu acordei lentamente com a luz do sol que entrava pela
janela da sala de estar. Confuso, lembrei de que tive um encontro com
Carol, mas não passava de um borrão na minha mente. E para aumentar
minha confusão, ela não estava comigo. Esfreguei meus olhos, e notei que
algo não estava certo. Minha cabeça doía, e ao olhar num espelho
próximo, percebi que meu rosto estava coberto de marcas e arranhões,
parecendo que foram feitos por unhas. Assustado, peguei meu celular e
enviei uma mensagem para Carol, perguntando se ela sabia que porra tinha acontecido
comigo. O dia se passou, e não recebi nenhuma resposta. Acabei
concluindo que, tanto Carol quanto Nicole não haviam gostado das minhas
atitudes mesquinhas e decidiram me deixar sozinho. “Tinha que ser isso”,
eu pensei. Achei melhor parar de me preocupar com o ocorrido, afinal, elas não
eram as únicas garotas do mundo. E os arranhões? Bem, ela deve ter me
arranhado enquanto transávamos loucamente, foi isso. Decidi parar de
usar o Badoo por um tempo.
Em um fim de semana, com a chegada do verão, eu decidi que organizaria a bagunça de minha casa,
e limparia tudo que pudesse, já que o porão estava começando a cheirar
muito mal. Enquanto tirava algumas caixas de tralhas do caminho, recebi
uma notificação do Badoo, avisando sobre uma nova mensagem.
Imediatamente, me recordei das situações estranhas que haviam acontecido
comigo. Peguei meu celular, e nervosamente, olhei para
a notificação. Era de uma garota que eu não conhecia, chamada Isadora.
Pensei em responder mais tarde e continuar a limpar minha casa, mas algo
me deteve, um sentimento de inquietação e interesse me moveram a iniciar
uma conversa com a garota. Bem, eu ainda estava sozinho, e não custava
tentar contatar uma nova pessoa. Descobri que ela só estava interessada em
fazer sexo. Mesmo assim, acabei saindo de casa no mesmo momento para ir ao seu
encontro, pois eu já estava entediado e não tinha nada de melhor para
fazer. E quem recusaria uma oportunidade como esta?
Era noite, eu acordei assustado com um barulho estranho. Confuso, eu
novamente lembrei de que havia saído para ir a um encontro. Eu estava prestes a gritar “mas que porra é essa!” quando ouvi
passos vindos de cima de onde eu estava. Eu congelei de medo, pensei
rapidamente que Isadora deveria estar ali comigo, só podia ser isso.
Enquanto meu coração batia rapidamente, eu pulei de susto com um som de
notificação vindo do meu celular. Os sons de passos haviam parado. Será
que eu estava sonhando? Decidi levantar e checar o aparelho. Para minha
surpresa, Nicole havia me enviado uma nova mensagem. A mensagem
dizia: “Oi, vamos nos encontrar?”. Sonolento, eu respondi: “Onde?”. Após
alguns segundos de silêncio, sem resposta de Nicole, eu ouvi um forte
estrondo no meu porão. Saí correndo para verificar o que havia
acontecido. Ao entrar lá, sinto um forte cheiro de carne podre que me deixa enjoado e com
náuseas. Aperto o botão do interruptor da lâmpada, e tudo faz sentido
para mim.”Nunca mais ficarei sozinho. Agora, posso me encontrar com minhas garotas sem sair de casa,
basta ir no porão”, eu penso, sorridente.

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Você bebeu Red Bull nos últimos meses?

Se você bebeu Red Bull de setembro para cá, espero com todo meu coração
que você esteja se sentindo bem. Mas temo por você.

Não vou escrever meu nome, pelo medo do que fariam comigo se
descobrissem que estou escrevendo isso. Vou me chamar de Zed. Eu
trabalhei por mais de sete anos em uma das fábricas de produção de Red
Bull na Áustria. Era um bom emprego. Eu conseguia sustentar bem minha
esposa e filhos. A maioria das pessoas que trabalhavam lá eram
austríacos nativos, mas eu sou de um país ocidental (novamente, não vou
identificar muito mais além). Fui para a Áustria a turismo quando era
novo, conheci minha esposa, e nunca mais fui embora.

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Caviar

Fui a diversos locais do mundo para encontrar as melhores comidas. Seis continentes, milhares de regiões, incontáveis pratos; tudo para encontrar a refeição perfeita.
Por um tempo, achei que nunca conseguiria. Sempre havia algo meio estranho; o sal, o frescor, a temperatura – pequenos defeitos que, para qualquer outra pessoa, não significaria nada.
Entretanto, para mim, havia uma diferença distinta entre perfeição e o comum.
Minha missão continuava.
Durante minhas viagens, eu descobri sobre um “clube de jantar underground” em Moscou, que se encontravam uma vez por ano.
Enquanto “clube de jantar underground” parecia ser misterioso e ilícito, é apenas um lugar que funciona casualmente, ou seja: sem um alvará da vigilância sanitária.
Chefes de cozinha por todo o mundo fazem isso sempre para seus amigos. Eu mesmo já fui em vários.
Mas esse tinha o intuito de ser diferente. Eles tinham o melhor caviar.
Caviar é um item de luxo, mas até na Rússia-obcecada-por-luxo, começou a ser bem menos usado por questões de sustentabilidade. Ainda está disponível abertamente, mas os que são realmente bons estão cada vez mais difícil de se encontrar.
É muito complicado colocar as mãos na “coisa realmente boa”. Está trancado pelos Oligarcas e chefes de estado; se você não é um deles ou não está em sua companhia, está sem sorte.
Então quando ouvi que o clube de jantar estaria servindo o melhor do melhor, eu sabia que teria de ir até lá. Mas não foi fácil.
Levou quatro anos para conseguir me engrenar com gourmets influentes de Moscou. Gastei milhares e mais milhares de dólares em seus restaurantes, construindo uma boa reputação, escrevendo em meus blogs sobre suas comidas e cultivando relacionamentos.
Vasily Protchenko, um dono de restaurante e subcelebridade de Moscou, foi quem me notou. Depois de um certo tempo, nos tornamos amigos.
Eu não sabia se ele era membro do clube de jantar, mas se realmente existia, ele tinha de ser. Mas não falei nada. Eu aguardei.
Em uma tarde, Vasily e eu estávamos conversando sobre caviar, especialmente sobre as melhores fontes. Ele mencionou os mares do Japão, o que achei estranho, sendo que o desastre de Fukushima havia afastado as pessoas de comprar frutos do mar daquela área.
Ele concordou que o que acontecera lá era moderadamente desconcertante, mas insistiu que o caviar daquelas águas era sublime. Foi aí que aconteceu.
“Sabe”, me falou, “tem um ainda melhor. Algo que quase ninguém sabe a respeito. Você consegue guardar um segredo?”
Eu dei o meu melhor para não parecer super animado. Tinha que ser o que eu estava aguardando todo esse tempo.
“Claro”, falei, e me inclinei em sua direção para ouvir melhor.
Vasily me contou sobre o clube de jantar. Haviam 20 chefes e poucos dos seus melhores amigos de todo o mundo.
Eles se encontravam em um restaurante no final da mesma rua do de Vasily, e se eu estivesse disposto a pagar a barganha de 5 mil dólares e manter minha boca calada, eu poderia ir junto.
Uma hora e uma visita até o banco depois, eu tinha os 5 mil. Tudo que eu tinha que fazer era esperar.
Na noite do jantar, eu me encontrei com Vasily em seu restaurante e tomamos uns drinks. Então andamos até o lugar do encontro, no qual havia uma placa dizendo que estaria fechado no final de semana.
Demos a volta e entramos pela porta da cozinha. A cozinha estava cheia de chefes.
Alguns eu reconheci de minhas viagens, alguns eram desconhecidos para mim. Todos estavam preparando pratos para a noite.
Sentamos no salão principal e admirei a decoração. O quarto estava suavemente iluminado com velas e as janelas estavam tapadas com papéis pretos.
Estava óbvio que aquele era um jantar particular e que olhos curiosos não eram bem-vindos.
“Como funciona aqui?” Perguntei a Vasily.
“Eles só começam a trazer os pratos. São pequenos, obviamente, para você poder provar todos.
O caviar fica para o final, acho. É o prato mais raro e mais especial de todos.”
Como ele havia dito, a comida começou a chegar. Fomos agraciados com pratos magnificamente preparados por chefes meticulosos e com as mentes mais geniais possíveis.
Eu comi e bebi até minha mente girar.
Vasily pediu licença e foi para a cozinha. Conversei com alguns dos outros convidados e descobri que vários eram como eu – gourmets ricos procurando por a melhor das experiências gastronômicas.
Depois de mais alguns pratos, alguém perto da cozinha bateu palmas para conseguir a atenção de todos. Para minha surpresa, era Vasily.
“Quero agradecer por todos que vieram nesta noite”, anunciou. “A noite, como sempre, foi de um incrível sucesso.
Demos uma amostra da culinária dos melhores chefes do mundo, e como de costume, gostaríamos de terminar a noite com algo muito especial.
Vocês todos sabem como sou apaixonado pelo meu caviar. Vocês já provaram os melhores de todos os lugares; Rússia, Japão, canadá, etc, etc..
Hoje à noite, tenho mais um presente. É algo extremamente raro e demora um tempo muito longo para ser produzido em quantidades que se encaixem em nosso consumo.”
Um desfile de garçons carregando travessas prateadas emergiu da cozinha. Se espalharam pelo salão, colocando um prato de comida na frente de cada um dos convidados.
Vasily continuou.
“Esse é o ponto culminante de anos de trabalho. Tive que mexer vários pauzinhos e puxar diversos sacos para conseguir trazer isso para vocês hoje a noite, mas pela primeira vez, eu gostaria de dividir com vocês este caviar.
É sem dúvida nenhuma o mais raro do planeta, e acredito também ser o mais peculiar. Por favor, aproveitem.”
Todos aplaudiram e Vasily voltou a sentar do meu lado.
“Eu não fazia ideia que era você que estava por trás do caviar!” Exclamei.
Vasily sorriu. “Queria que você ficasse surpreso”, admitiu. “Agora, por favor, coma. Quero saber o que você acha.”
Olhei para meu prato. Havia uma torrada, amorenada com perfeição, coberta com uma pasta marrom-avermelhada.
Acima da pasta estava um bocado de crème fraîche salpicado com pequenos pedaços verdes de endro. Minha boca salivou.
Levei até a boca e mordi. Minhas pálpebras se fecharam e mastiguei, saboreando o gosto.
Era espesso e salgado, com notas ricas e distintas de fígado. Era totalmente diferente de qualquer caviar que eu experimentara no passado, mas sem dúvida alguma, era espetacular.
Comi mais um pedaço. A complexidade do sabor era de tirar o fôlego. Sem perceber, eu estava sorrindo feito um idiota o tempo todo.
“Então, o que achou?” Vasily perguntou.
Engoli e disse: “É a coisa mais incrível que eu já provei.”
É tão suave e amanteigado; não tem nada do salgado habitual dos caviares normais e, inicialmente eu não percebi, mas então as notas de fígado vieram e abraçaram minha língua. “De onde é?”
“Coreia do Norte”, me respondeu.
“Meu Deus”, respondi, “como você teve acesso aquelas águas sem ser baleado?”
“Bem”, começou a falar, “eu conheço um cara. Ele é médico lá.”
Peguei o último pedaço e comi enquanto Vasily falava.
“Eu sabia que nunca poderia pescar nas águas da Koreia do Norte. Mas na primeira vez que eu e o médico conversamos, percebi que ele tinha acesso a esse caviar sem nem perceber. Durante diversos anos, eu paguei uma boa quantia de dinheiro para que ele o coletasse para mim.”
Eu estava intrigado.
“Então o médico te traz o peixe?” Perguntei.
Vasily riu. “Não, não, não. O médico não é um pescador! Ele é um especialista – ele não tem tempo para pescar.”
“Especialista em que?” Quis saber, totalmente confuso.
“Ginecologia”, disse. “Lá eles realizam muitas esterilizações forçadas.
É péssimo para elas, mas ótimo para nós. Sem isso, não teríamos esse caviar!”
O salão pareceu escurecer e senti minha boca ficando muito úmida e muito seca ao mesmo tempo. Eu mal consegui formar a pergunta.
“Vasily, que tipo de caviar é esse?”
O chefe sorriu.
“Caviar humano!”

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Suicídio Assistido

Ele esperava até que todos estivessem dormindo antes de começar.
Eu ficava deitada imóvel e fingia inconsciência, mas sua voz persistiria, um uivo fraco de desespero, como se estivesse suplicando. Implorando. Pedindo para que eu o ajudasse a acabar com sua vida.
No brilho berrante da luz do dia, eu conversava com meus entes queridos sobre nossas noites sem sono. A pena estampada em seus rostos era óbvia; assim como a impotência.
Sabiam que não havia nada que pudessem fazer. Todo o sofrimento tinha de ser suportado por ele, e, por associação, por mim.
Eu era sua confidente; a única outra pessoa com quem se sentia confortável para conversar. Para chorar. Para gritar.
Não havia dúvida que os efeitos do estresse tinham acabado comigo. Eu havia engordado;
Eu estava qualificada como inválida; Estava depressiva. Nossos médicos sabiam que ele tinha problemas. Sabiam de algo – essa era a palavra que usavam: algo – estava errado com ele.

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Deus é Uma Garçonete em Las Vegas

Me encontrei com Deus pela primeira vez depois de uma noite de muito
azar em Vegas, onde tinha ficado com dinheiro suficiente apenas para uma
xícara de café e um prato de ovos mexidos em um restaurante 24 horas que
os moradores locais chamavam de ‘O Restaurante da Intoxicação
Alimentar’.

É um daqueles lugares onde as luminárias das lâmpadas fluorescentes são
cheias de insetos e você não pede creme no seu café, ou será servido com
requeijão vencido. Era quatro da manhã e até os bêbados já tinham ido
para casa, deixando eu e Deus sozinhos no restaurante.

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Minha amiga está querendo se suicidar

Oi, meu nome é Laura. Tenho 16 anos e estou no segundo ano do ensino médio.
Eu estou preocupada com minha amiga Katherine. Há algum tempo, ela vem se queixando para mim sobre sua vida, e
eventualmente, fala em se suicidar. Querendo seu bem, eu ofereço meu
apoio para que ela se sinta melhor. Mas nas últimas semanas, eu noto que
levá-la a uma balada ou apresentar alguns caras legais não a tem ajudado
muito.
Certo dia, enquanto estava muito bêbada, ela me contava sobre como
terminou com seu namorado. Ele odiava seu estado depressivo e
definitivamente parecia não amá-la como aparentava. Katherine estava
agindo de forma estranha. Achei que fosse efeito do álcool, mas ela dava
sinais de que não estava se sentindo bem. Murmurava coisas como: “quero
morrer”, “odeio minha vida”, entre outras frases perturbadoras. Achei
melhor lhe dar uma carona até seu apartamento para que ela pudesse
dormir e se acalmar.
Na manhã seguinte, encontrei Katherine enquanto ia para escola. Ela
parecia grogue, provavelmente pela bebida da noite anterior. Conversamos
durante o caminho sobre assuntos aleatórios. Percebi que ela estava com
olheiras profundas em seus olhos. Um olhar mais atento me fez gelar a
espinha.
– O que é isso garota! Não me diga que …
– Quero morrer, deixe meu corpo em paz. Faço o que quiser com ele.
Fiquei chocada com as horríveis cicatrizes nos braços de minha
melhor amiga. Definitivamente, achei que aquilo estava indo longe
demais.
Após o término da aula, voltei para casa e telefonei preocupada para
o centro de valorização da vida. Eu e Katherine nos conhecíamos desde o
ensino fundamental. Não aguentaria vê-la se machucar uma vez mais.
Pensamentos corriam pela minha mente, até que a voz do outro lado da
linha falou:
– Centro de valorização da vida, Alana falando?
– Oi, meu nome é Katherine, digo, me chamo Laura. Minha amiga
Katherine está querendo se suicidar, e eu não sei o que fazer.
– Ok, você está com sua amiga?
– Não, eu acho que ela foi para casa, mas a vi machucada nesta
manhã, cortou os braços.
– Certo, me ouça com atenção: você acredita que sua amiga está
pretendendo cometer suicídio?
– Acredito que sim, ela vem agindo de forma muito estranha nos
últimos meses, e eu não sei mais o que fazer.
– Ok, entendo. Por favor, peça para que sua amiga ligue para gente.
– Eu acho que ela não faria isso.
– Por que você acha isso?
– Eu acho que ela tem medo de se expor, de contar a alguém o que
pretende fazer.
– Tente conversar com ela, oriente ela a procurar ajuda, pois
depressão e suicídio são situações muito graves em nossa sociedade. Não
se tratam de uma brincadeira ou fraqueza pessoal.
– Katherine é uma moça frágil, sofre bullying na escola.
– E você sabe o motivo pelo qual ela sofre bullying?
– Ela é muito gorda, todas fazem piada com seu corpo.
– Entendo. Sua amiga passa por considerável sofrimento psíquico.
– Katherine se odeia, Katherine deseja morrer…
– Ouça, ela apenas está sofrendo muito. Se ela fazer terapia,
voltará a ser feliz.
– Katherine está segurando uma navalha afiada, ela vai se cortar.
Por favor, me ajude, ela vai se machucar, ela vai se machucar!
– Sua amiga está com você?
– Katherine está banhada em sangue. Seus pulsos já estão cortados.
– Eu sinto muito, por favor, me diga seu endereço. Vamos procurar a
ajuda necessária.
– Não creio que algo poderá ser feito. Me desculpe, está tudo
acabado. Meu nome é Katherine.

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